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A VINGANÇA

16 de out.
3 min de leitura

Eu tive muita paciência com você, muita paciência. Esperei esse tempo todo, 26 anos, quase 27 anos. Eu te esperei... esperei você decidir largar tudo e ficar comigo.

Eu acreditava que você tinha amor por mim. Hoje eu não tenho mais certeza se você me amou ou não, mas isso também não importa mais para mim, sabe? Porque acho que fui eu que vivi numa ilusão. Uma ilusão de um amor que nunca seria possível, de um amor que nunca ia se realizar, de um amor que nunca ia lutar por mim. De um amor que decidiu ficar num lugar que te deixa doente, mas por outros fatores. É a sua escolha, eu não vou questionar a sua escolha.

Cada um tem suas escolhas, mas as escolhas têm consequências. Eu estou decepcionada com você, estou muito. Não com o término, término é isso. Eu já enfrentei alguns, mas o jeito como você me tratou, o jeito que você me desprezou, o jeito como você usou como arma uma coisa que eu te confessei... Você me rejeitou de propósito, porque sabia que aquilo ia me ferir. Você me tratou muito mal, muito mal. Todas as friezas, toda a distância, todo o silêncio... Aquele silêncio era para me machucar.

Você foi vingativa, você se vingou de mim e nem me perguntou nada. Eu nunca quis me afastar de você. Mesmo quando eu estava casada, você sabe que eu não estava mentindo. Em uma das últimas conversas que a gente teve antes de eu casar, eu acabei dormindo porque estava cansada por causa do meu trabalho. Depois você me disse que eu havia dito que não podia ficar com você naquele momento, e perguntei se você podia me esperar. Foi a única vez que pedi para você me esperar, porque eu já tinha assumido um compromisso com outra pessoa. Eu ia casar com aquela pessoa, ia morar com ela, e acabei morando e ficando sete anos.

Eu não sou mau carater, eu sou honesta. E você também nunca me deu segurança. Talvez, se você viesse aqui e falasse para mim que me amava, que queria viver comigo — como eu tinha, e ainda tenho, um sentimento por você —, aí eu teria sido sincera comigo e com a outra pessoa.

Mas você não me dava nenhuma segurança, nunca me deu. Muito pelo contrário, você nunca me escolheu. Nunca na vida você me escolheu. Você escolheu um concurso, a cidade... Aquilo ali era o sinal, e por isso tentei fugir de você. Eu fugi de você e te falei isso. Eu podia até ter conversado com você; acho que o meu maior erro foi esse, não ter conversado, mas eu estava fugindo dos meus sentimentos. Eu era muito imatura naquela época e te pedi perdão, mas você fez o que fez de forma deliberada.

Você me causou dor porque sabia que eu tenho um problema com rejeição. Você disse que eu não era suficiente para você e que Deus não iria aceitar — ainda colocou a religião no meio —, que Deus não iria querer a minha relação com você. Ali eu compreendi que você estava se vingando de mim, porque Deus não é assim. Não é nesse Deus que eu acredito. E a gente tem que viver a vida para isso, entendeu? Não é Deus que escolhe as relações, somos nós, seres humanos. A gente às vezes usa a desculpa da religião, de várias coisas, para se vingar, para maltratar, para desprezar e renegar o outro.

Isso eu não faço. Eu poderia ter dito palavras duras para você também, porque eu também sei como mexer com você, sei as suas fraquezas, mas não fiz isso. Eu saí te desejando felicidade, de verdade, eu desejo isso mesmo. Só que eu não quero mais você perto de mim. Hoje eu oro e peço a Deus para me dar forças para que você nunca mais tenha acesso à minha energia. Eu não quero te ver nesta vida e nem nas minhas próximas vidas. Nunca mais quero saber de você, mas te desejo felicidade Só isso.


ANA GUEDES

SALVADOR 16.10.2026


 
 
 

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