O AMOR QUE MULTIPLICA
Atualizado: 16 de out.
Com a maturidade, você aprende que o amor não é aquele sentimento que faz você se tremer toda; isso é paixão de adolescente. Eu já senti isso no meu primeiro amor, na fase da descoberta, e ele me ensinou tanta coisa. Tanto que, mesmo quando terminamos, restou uma amizade que dura até hoje.
Há quem diga que não se deve ser amigo de ex. Eu discordo: se existir respeito, mesmo que o relacionamento amoroso não tenha continuado, a pessoa pode ser alguém importante para se manter na vida. Meu primeiro amor me ensinou tanto que o mantive por perto, em uma amizade que já completou mais de 40 anos.
Após descobrir o amor, resolvi escolher com quem queria perder a virgindade. Eu escolhi e até gostava da pessoa. Mas esse negócio de casar... Quando me pediu em casamento e quis ter filhos, eu corri léguas, porque eu não queria aquilo. Muito menos ter filhos,pelo menos naquela época. E, durante muito tempo, mantive essa ideia de não me casar.
Hoje, aprendi a ficar bem sozinha. E, quando você aprende a desfrutar da própria companhia, começa a desejar um outro tipo de amor: não aquele que ocupa espaço, mas o que traz descanso, relaxamento e liberdade. Um amor que não exige jogos, não gera dúvidas, não causa incertezas e não coloca o afeto em disputa. É um amor tranquilo, no qual você se sente à vontade.
Sinceramente, nunca quis ninguém para completar a minha vida, pois sempre fui muito independente. Minha avó e minha mãe ensinaram a mim e às minhas irmãs a sermos assim. Elas sempre diziam: Trabalhe e tenha seu próprio dinheiro para não depender de ninguém. Você pode casar, pode ter quem quiser, mas, no momento em que sentir que não está bem, vá embora. Nunca fique em um relacionamento por dependência financeira. Seja independente.
Hoje, se eu quiser alguém, não será para me completar, pois já sou completa. Quero um amor que some, que venha multiplicar tudo o que eu ainda vou construir nesta vida, para que ela fique mais bonita e alinhada aos princípios que prezo. Desejo uma pessoa que compartilhe desse pensamento: o de que crescer não significa acumular dinheiro ou ficar milionária, mas sim tornar-se um ser humano melhor. Lutar para ser alguém melhor neste mundo tão caótico, ganancioso, egocêntrico, insensível, preconceituoso e violento. Esse é o pouco que busco. Quem sabe eu ainda encontre esse amor? Não tenho pressa.
ANA GUEDES
SALVADOR, 30.09.2026



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