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AMOR ENTRE IGUAIS



Dois meninos num vagão e o mistério do prazer

Perigoso é me amar

Obscuro querer

Somos grandes para entender, mas pequenos pra opinar

Se eles vão nos receber, é mais fácil condenar

 

Estes versos da canção de Jorge Vercillo são os preferidos de João e Paulo. Dois jovens que trabalhavam juntos em uma escola tradicional, no interior da Bahia. Entre eles, surgiu um amor secreto. Cada olhar, cada toque delicado, era um risco, diante do mundo tão preconceituoso.

 

No entanto, o pai de Paulo descobriu a relação homoafetiva. E ficou furioso, pressionando um revólver contra a cabeça de João. Mesmo diante da grave ameaça do pai de Paulo, João manteve-se firme. Ele falou: "Eu ousaria amar, mesmo que isso custasse minha vida."

 

De joelhos, na frente do pai, Paulo tentou esconder as lágrimas nos olhos e, com a voz trêmula, fez uma promessa: "Pai, juro que deixarei João. Farei o que for preciso para não trazer mais vergonha, mas não mate João."

 

Após ouvir o pedido desesperado de Paulo, o pai ficou em silêncio. E, após alguns minutos, com a voz menos ameaçadora, afirmou: "Vá embora da cidade, não quero te ver mais aqui.”


João olhou para Paulo e questionou: "Quanto tempo levará? Quero saber se você é tão forte para não desistir de mim." Já Paulo havia decidido ceder às pressões familiares e sociais. Mesmo com o coração partido, ele falou: "Vá embora, João. Viva." E João, naquele mesmo dia, viaja levando apenas aquele amor entre iguais na lembrança.

 

FIM

ANA GUEDES

13.04.2026


 
 
 

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