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um reset seria bem-vindo


Quem me conhece sabe que eu adoro história. Adoro estudar a nossa história e a história do nosso planeta. Pelo menos é essa que eu conheço, a que vejo nos livros. Um pouco através dos livros espíritas, também vejo a história de outros planetas, como a de Marte e a de Sírio — uma guerra em Sírio, essas coisas que muita gente acha que podem ser fantasia, mas que bem podem ser a nossa realidade ou algo que já aconteceu e que deveria servir de exemplo para nós, terráqueos, seres humanos que vivemos na Terra. Sempre considerei que sempre houve guerra e crueldade, porque na história do ser humano sempre existiram tirania, luta pelo poder, ganância e frieza. O ser humano é assim.

Nós temos um lado muito bom, muito bonito, generoso e criativo. Temos empatia, algumas pessoas têm, mas a maioria não. A maioria só quer ganhar, ganhar, ganhar... e não percebe nem se importa com a dor do outro. Diante do que sempre pensei, achei que, nestes meus 61 anos de vida - que não são nada nesta minha atual existência como Ana Célia Guedes dos Santos -, o pior período da humanidade tivesse sido a Segunda Guerra Mundial, quando aconteceram tantas crueldades com a ascensão de Hitler e de Mussolini. E até a ascensão dos norte-americanos, porque eles também foram cruéis quando jogaram duas bombas atômicas em duas cidades, matando tantos civis no Japão.

Nós levamos os nazistas e os fascistas para os tribunais internacionais e os repudiamos até hoje- o que acho que devemos fazer mesmo -, mas nunca repudiamos os norte-americanos. Eles se consideram os xerifes do mundo e, agora, com a ascensão de Donald Trump em seu segundo mandato, isso está muito mais evidente.

O pior é que hoje, atualmente, nós não temos apenas um Hitler e um Mussolini.Temos vários espalhados pelo mundo, talvez até piores do que eles e do que quem ordenou o lançamento das duas bombas atômicas. Até o Japão, que foi imortalizado numa música de Gilberto Gil como o "Japão da Paz", não é mais o Japão da paz. Acho que deveríamos repensar o que estamos fazendo com o nosso planeta, com o nosso semelhante, com o meio ambiente, com as plantas e com os animais. Isso tudo pode nos levar à extinção.

Os cientistas alertam todos os dias, mas ninguém percebe. Todo mundo está concentrado em trabalhar, trabalhar e ser escravo, porque hoje nós somos escravos do trabalho.Estamos escravizados. No passado, quando existia a escravidão tradicional - e ainda existe a escravidão moderna aqui no Brasil e em outros lugares - a dinâmica era outra, mas hoje vivemos essa escravidão de trabalhar apenas para pagar contas. Somos escravos de todo esse pessoal que está no poder. Eles só pensam na gente na época das eleições, e alguns nem mesmo nessa época. Precisamos resetar tudo e transformar este planeta, que nos oferece tantas coisas bonitas. E o que damos em troca? Nós estamos tentando nos destruir.

Somos a única espécie que não preserva a vida. Todas as outras espécies têm um objetivo: perpetuar a vida dos próximos que virão. Todas, até as plantas, conseguem transmitir o pouco conhecimento que adquirem. Eu vejo isso pela minha gata, a Miza. Ela aprendeu a abrir a porta, e transmitiu esse aprendizado para todos os seus descendentes. Hoje eu tenho apenas um casal que descendeu dela, e eles sabem abrir a porta como a mãe deles, a Miza. Apesar de terem personalidades diferentes, tudo o que Miza aprendeu nessa curta vida de 11 anos que viveu comigo, ela passou adiante. Ela era geniosa, mas eu a amava. Os animais são, e sempre serão, melhores do que qualquer ser humano.

Sabe por quê? Porque quando um dos filhos ou descendentes dela brincava com uma lagartixa ou qualquer outro animal, e o bichinho ficava sofrendo porque ainda não tinha morrido, Miza percebia. Miza ia lá, tirava o bicho da boca deles, e todos a obedeciam porque ela era a matriarca. Miza era a líder; sempre foi a líder. Todo mundo, até eu mesma, às vezes abaixava a cabeça para ela. Eu sei o limite de qualquer coisa, mas Miza via que o bicho estava sofrendo, ia lá e encerrava a dor dele quebrando-lhe o pescoço. Para qualquer ser humano, aquilo poderia parecer crueldade, mas não: era um ato de piedade.

Acho que é isso que está faltando no ser humano hoje: piedade. Estamos todos tão individualistas, tão egoístas e pensando somente em nós mesmos, que não temos mais empatia com quem está na nossa frente - seja um ser humano, uma planta, um animal, um rio, um mar ou o próprio planeta. Precisamos voltar a ter empatia, piedade e generosidade. Afinal, para que estamos vivendo? Ou vamos continuar assim? O planeta vai reagir. Assim como os dinossauros morreram, e eles eram os reis deste planeta quando aqui viveram, a nossa espécie também pode ser extinta. E não adianta fazer foguete para ir para Marte ou para a Lua. Se não mudarmos, seremos extintos.

Precisamos mudar, nos transformar e aprender um pouco do que Jesus Cristo, o maior dos seres humanos que já viveu neste planeta, nos ensinou. Isso não tem nada a ver com religião, absolutamente nada, até porque ele não veio criar religião nenhuma; quem as criou foram os homens. Nós vamos à igreja, aos templos, aos centros espíritas ou fazemos nossas orações em casa. Dizemos, repetimos e rezamos, mas, na prática, não seguimos os ensinamentos de Jesus Cristo, que são justamente estes: ter empatia, amor no coração, generosidade, compaixão e perdão.

Por isso, acho que a palavra mais importante que devemos seguir sempre é o amor, mas o amor verdadeiro. Não esse amor que é vendido pela mídia e pelo sistema. Não o amor puramente sexual. O sexo é importante, claro, não é crime nem pecado, mas o amor não pode ser algo fugaz. Eu não sei a fórmula, não quero seguidores, não quero nada. Só queria que as pessoas repensassem cada gesto: para que estamos vivendo? Para que queremos viver? O que estamos vivendo atualmente não tem sentido nenhum.

É preciso fazer um reset em cada ser humano, em cada um que está neste planeta, e mudar tudo. Absolutamente tudo. Porque o que há de mais importante neste mundo é o amor. Com o amor, conseguimos a paz de espírito. Quem é que tem paz de espírito hoje nesta Terra? Me diga, sem mentira e sem arrogância: você tem paz de espírito todos os dias? Se você tem paz de espírito na atual conjuntura da Terra, você é um ser deplorável, porque não tem como ter. Basta ver as notícias. A mídia só explora o pior lado do ser humano, e nós não podemos nos enganar com isso.


ANA GUEDES

Salvador, 25 de julho de 2026


 
 
 

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