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devoção do baiano ao senhor do bonfim


Depois da pandemia, este ano foi a primeira vez que participei da lavagem do Bonfim. E iniciei o ritual de  sair de casa às 7h30 e comer um feijão de Dona Aurora, famoso na Baixa do Bonfim. Quer dizer, eu sujei mais o prato do que comi. Sinceramente, não tenho o costume de comer feijão tão cedo  assim. Mas realmente estava gostoso e temperado.

Acampamos no prédio residencial amarelo que fica no pé da ladeira do Bonfim. Nem subimos porque na noite anterior participamos da Novena e fomos amarrar as fitas ou medidas do Senhor do Bonfim no gradil da Igreja, fazendo os nossos pedidos para 2026. Tradição que vem antes mesmo dos meus avós.

É uma caminhada de fé, mas também de muita fé e alegria com as fanfarras, batucadas, afoxés e até trio elétrico. Realmente é a festa popular onde o sagrado e o profano convivem pacificamente em cada rua da Cidade Baixa. O que senti falta mesmo foi das baianas com seus jarros cheios de água perfumada. Cada vez mais diminui o número de baianas que fazem esta caminhada do bairro do Comércio. Está na hora das autoridades pensarem em estimular a juventude a abraçar esta devoção e lavagem das escadarias.

O festejo marcou os 281 anos da chegada da imagem do Senhor do Bonfim a Salvador e teve como protagonista o Cristo crucificado, reunindo fiéis católicos e seguidores de religiões de matriz africana, em uma celebração marcada pelo sincretismo religioso.

ANA CELIA GUEDES

15 DE JANEIRO DE 2026

 
 
 

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