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DIÁLOGO IMAGINÁRIO



Estou com uma conversa entalada que poderia ter tido com o meu ser amado há muito tempo. Nem sei se essa conversa ocorrerá um dia — possivelmente nunca mais. Mas acho que preciso expressar isso de alguma forma. Estou escrevendo e é como se eu conversasse com essa pessoa. Imagino que ela chegou para mim e disse que queria conversar. E eu resolvi falar, porque sou sempre a favor do diálogo.

Sei que poderia sair novamente machucada dessa conversa. Mas resolvi ouvir o outro, até porque sei que, quando as palavras não são ditas, elas doem muito e durante muito tempo.

Assim, vou contar a historinha deste diálogo imaginário. Tive um relacionamento há muito tempo, possivelmente 26 anos atrás. Quando terminamos, eu não falei, não conversei, não tive o diálogo. Eu tentava evitar o que sentia. Namorei e usei outra pessoa porque queria que o meu ser amado parasse de me procurar. Cheguei a casar quase dez anos depois deste término. Vou dizer que minha vida parou? Não. Eu casei. Mas aquilo estava entalado na minha garganta, porque eu sabia que tinha feito alguma coisa errada. Um dia, procurei a pessoa e conversei; depois escrevi e pedi perdão.

Precisava, pelo menos, conversar. Você não sabe o quanto dói não falar... Você não dizia o que estava sentindo. Acho que todo diálogo resolve uma situação, mas, se não resolver, às vezes é só um ponto final. No entanto, fiquei com aquilo entalado durante anos e anos. Então, voltando agora ao presente, pensei: como seria essa conversa?

Essa pessoa me machucou demais, sabe? Muito, muito, muito... Foi um término muito doloroso. Não apenas por ter acabado, mas pelas palavras utilizadas com uma certa crueldade e frieza, tentando desconstruir tudo o que eu acreditava. Senti muita energia negativa, muita mesmo...

Mesmo assim, resolvi falar o que estava sentindo. Não para consertar, não para me humilhar, nem para querer que a pessoa mudasse de ideia. Quis apenas expor os meus sentimentos, o que estava dentro de mim. E eu fiz isso. Falei tudo o que queria naquele momento. Eu tinha aprendido, com muita dor, a não ficar com nada entalado na garganta.

Depois eu me calei. Só fiquei prestando atenção. E a pessoa acho que ficou até envergonhada, mas não me disse nada. Talvez porque eu tenha reagido de outra forma: não reagi com raiva, não despejei nada ruim. Fui eu, simplesmente eu...

E o que mais me doeu? Foi a pessoa dizer que me queria como amiga. Gente, se eu sou o motivo da cura, se eu fui tudo de errado na vida desta pessoa, se eu fui um erro, para que você quer me manter como amiga? Eu não falei nada. Apenas pensei: chega, acabou. E eu deixei a pessoa ir, mesmo a contragosto, mesmo querendo que ela ficasse. Deixei que saísse da minha vida, porque tudo tem um limite.

Ninguém pode obrigar ninguém a amar você, mas você também não pode ficar em um lugar onde é maltratada. A decepção é imensa, porque podemos esperar isso de qualquer um, menos daquela pessoa. Nunca pensei que ouviria aquela crueldade matinal.

Agora, a pessoa conversa comigo. E eu mentalizo: "Deixo ela falar tudo?". Primeiro, deixo a pessoa ficar olhando, escutando. E, depois que ela fala tudo o que quer, eu pergunto: "Acho que você deve fazer uma pergunta para si mesmo. Não precisa nem me responder: será que você me ama? Ou você ama apenas o jeito que eu trato você?". Porque eu sei que trato de uma forma diferenciada, que nem todo mundo sabe fazer.

Acho que essa é uma pergunta honesta que você deve fazer para si e responder com franqueza. Eu não estou preocupada com a resposta, só queria que a verdade viesse à tona. A gente vive tanto de aparências que, às vezes, não sabe discernir o que é verdade e o que é mentira. Mas devemos, pelo menos, ser verdadeiros conosco.

Eu procuro ser verdadeira comigo, com os meus sentimentos e com as minhas limitações. Para isso, estou evoluindo, conhecendo cada ponto positivo e cada ponto negativo em que devo melhorar. A cada dia, peço a Deus por isso: minha evolução. Acho que é isso que você deve se perguntar. Depois que souber a sua resposta, de verdade, tudo vai melhorar na sua vida. Pode ter certeza disso.

Eu, como falei lá no dia 1º de agosto de 2025, desejo que você seja feliz, independentemente de estar comigo. Continuo tendo este pensamento. Isso não são apenas palavras, é a verdade que tenho dentro de mim. Quando oro, peço isso a Deus e ao meu anjo da guarda: que você seja feliz e que eu, um dia, encontre a minha felicidade. Porque, para mim, isso é amar de verdade.


ANA GUEDES

SALVADOR, 04.03.2026


TEXTO ESCRITO SOB A INFLUÊNCIA DO ECLIPSE TOTAL DA LUA EM VIRGEM E DE MERCÚRIO RETRÓGRADO EM PEIXES


 
 
 

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