MORTE EMOCIONAL
- acg747top

- 4 de jul.
- 2 min de leitura

Às vezes, a gente não morre de uma vez; a gente vai morrendo aos poucos, por dentro. É aquela morte emocional que acontece quando você cansa de esperar por uma promessa que nunca vira realidade, ou quando percebe que virou um "segredo" na vida de quem você mais amava.
É um vazio esquisito. Você olha no espelho e não se reconhece mais, porque passou tanto tempo tentando "se comportar" ou caber nas expectativas dos outros que acabou esquecendo quem era de verdade. É o silêncio depois de uma porta batida, o nó na garganta que não desce e a sensação de que o seu brilho simplesmente apagou.
Mas o negócio é o seguinte: para renascer, a gente precisa aceitar que aquela versão antiga, que aceitava migalhas, morreu mesmo.
A transformação começa quando você para de cavar o buraco e decide escalar de volta para a luz. O amor-próprio não nasce de um dia para o outro com flores e fogos de artifício; ele nasce da raiva de ter sido feita de palhaço, da tristeza de ter se perdido e, finalmente, da decisão de que você é a sua única morada segura.
Você começa a entender que não precisa de um "concurso em outra cidade" ou de uma "validação de mãe" para ser alguém. O amor-próprio é quando você olha para aquela pessoa que te mandou "se comportar" e percebe que o problema nunca foi você, mas sim a covardia do outro.
Nesse momento, a morte emocional vira adubo. Você floresce um tipo de amor que não depende de mensagem de WhatsApp, de encontro gelado ou de promessas de papel. Você se torna o seu próprio "porto seguro" e entende que, se for para viver um amor de fachada, é melhor viver a verdade da sua própria companhia.
A gente só aprende a amar o outro de verdade quando para de morrer um pouquinho cada vez que o outro nos decepciona.
Eu vivi o outono no meu coração. É o tempo... É a estação das folhas secas em que você oferece tudo, mas não recebe nada. Passei por um inverno rigoroso, em silêncio. Agora, vivo o florescer da primavera, graças ao meu amor-próprio.
Para finalizar deixo os trechos da canção:
Fui eu quem se fechou no muro E se guardou lá fora Fui eu quem num esforço Se guardou na indiferença Fui eu que numa tarde Se fez tarde de tristezas Fui eu que consegui Ficar e ir embora E fui esquecida Fui eu… “Manhã de setembro”, composta por Vanusa e Mário Campanha
ANA GUEDES
SALVADOR, 11.04.2026


Comentários