PROMESSAS VAZIAS
- acg747top

- 11 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: 16 de abr.
Eles se encontraram por acaso, justamente em um momento em que ambos estavam um pouco confusos. Tinham acabado de perder uma pessoa querida e estavam bem mal. Havia a necessidade mútua de um porto seguro. Havia também uma química absurda, tanto física quanto emocional, daquelas que não dá nem para fingir que não está sentindo.
Tudo foi muito rápido. Um olhar, um sorriso, o toque e logo estavam em conversas que pareciam não ter fim. Sentiam-se compreendidos, aceitos na dor e no desejo. Tudo parecia perfeito.
De repente, ela descobriu que fazia parte de um triângulo familiar, em que a mãe dele era prioridade absoluta. Só que, por incrível que pareça, nem esse problema conseguiu separar o casal.
O que rolou depois foi aquela ideia de que o futuro era "só eu e você". Era promessa atrás de promessa: faziam planos de morar juntos, de ter uma casa, de viverem aquela paz que tanto queriam. Só que o tempo foi passando e ficou só na conversa.
Sabe quando ela tomou consciência? Depois da conversa: "Vamos fazer o concurso público juntos, passar e finalmente montar nossa casa?" No entanto, tudo isso se evaporou no ar, quando na hora de assinar a inscrição, ele recuou. Em vez de focar no plano dos dois, acabou se inscrevendo para uma cidade totalmente diferente, bem longe, só para atender a um capricho da mãe.
No momento, ela ficou em silêncio. Mais tarde, ela entendeu que a promessa de uma vida a dois era somente enrolação. A prioridade era a família dele e, principalmente, a mãe. Ela entendeu que o futuro que desenharam juntos nunca ia se tornar realidade.
A decepção foi tão grande que não teve nem discussão, não teve choro, só um "chega". Ela decidiu que não ia mais ser a segunda opção de ninguém e resolveu terminar a relação, após a traição.
Para arrancar esse sentimento e não ter o perigo de recair, ela iniciou outro namoro. Não era nem por amor, era pura fuga. Ela se jogou nos braços de outro rapaz só para criar uma distância segura e não ter um motivo de não olhar mais para trás.
ANA GUEDES
11.04.2026
Esta é a história de uma mulher presa em um ciclo de manipulação emocional, marcado por uma triangulação, que nem sempre é amorosa, onde ela ocupa o papel de “outra” e vive de promessas falsas. Amanhã, publico a segunda parte deste conto.



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