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Uma certa quarta de julho

Atualizado: 4 de abr.


Ela sentou-se diante da tela do notebook, com o coração apertado, mas decidida a abrir sua alma e transformá-la em palavras. Com os dedos trêmulos, começou a digitar um e-mail que há tempos queria enviar, um convite para uma conversa que nunca tivera com o ser amado, mas que ela sabia ser necessária.

 

 “Meu bem”, escreveu, “fiz este e-mail para poder conversar mais livremente contigo. Não quero te colocar em apuros. ”

 

Ela sabia que precisava aceitar a realidade, mesmo que fosse difícil. “Finalmente descobri que, para ter você perto, preciso aceitar que você é o meu bem mais bem guardado. ”

 

As noites de reflexão a levaram a conversar com seu anjo da guarda, buscando leveza para enfrentar a dureza da vida. Tentava encontrar novas formas de explicar o que sentia, sem pressa, sem cobranças, apenas com sinceridade.

 

“Eu gostaria muito de poder conversar contigo pessoalmente, mas não sei se será possível. ”A incerteza do encontro físico pesava, mas ela estava pronta para aceitar o que viesse. 

 

Ela respeitava a situação dele, sabia que nada havia mudado, mas com a maturidade, aprendera que o importante era tê-lo por perto, de alguma forma. “Também não quero que você assuma nada comigo. ”

 

O que realmente importava era o que ela sentia por ele. “eu te amo,” confessou, sem medo, mesmo sabendo que o amor nem sempre é correspondido da mesma forma.

 

O tempo perdido pesava em seu peito, e ela não queria levar aquela pendência para outra vida. “Para mim, isso significa um início, porque agora somos pessoas diferentes. Quero aprender a lidar com sua nova versão e te mostrar que sou uma nova pessoa, mas sem pressa, sem cobranças...”

 

Ela desejava uma nova chance, um recomeço que não exigisse pressa ou incertezas. “Quero muito uma nova chance contigo. No entanto, não vou forçar nenhuma resposta. Aguardo o tempo que você quiser. ”

 

Recuperar a conexão que tinham era tudo o que ela queria. Eles pareciam ter um fio invisível que os ligava e que ela desejava manter até o fim da vida. “Não é exagero, afinal, já não tenho mais vinte e poucos anos e aprendi com meus erros. ”


Ela respirou fundo, apertou o botão de enviar e, pela primeira vez em muito tempo, sentiu uma paz invadir seu coração. A paz de quem se entrega sem medo, de quem ama com coragem, mesmo diante do desconhecido.


 ANA GUEDES

Esse é o primeiro conto que escrevo sobre a superação de um término doloroso de um relacionamento amoroso. Amanhã, publico a última e segunda parte do conto.



 
 
 

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